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Educação e Sociedade

Sérgio Pereira dos Santos

Faz doutorado em educação pelo PPGE/UFES, cuja temática é a análise das Ações Afirmativas no Ensino Superior. É Mestre em Educação pela UFES em 2008. Graduado em Pedagogia pela UFES em 2005.  É Professor Convidado da Faculdade Brasileira (FABRA). Foi Professor Substituto na UFES nos períodos entre 2009/01 a 2010/02 nos cursos de Licenciatura. Tem experiência com educação pré-universitária popular e alternativa para os jovens negros e das camadas populares.  É Membro do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UFES. Estuda a questão racial brasileira, as relações entre classe, raça e educação, juventude e sociedade, educação e função social da escola, negritude e universidade. Autor do livro “Escola: permanências, desequilíbrios e possibilidades”, 2006; e um dos organizadores da obra: “Cinema, Educação e Inclusão”, 2012.

 

Currículo e Contato:

03/03/2013 - As cotas e inclusão na UFES

Os dados divulgados pela UFES, após a inscrição no Vestibular 2013, considerando a Lei de Cotas, são significativos para tratarmos tal medida inclusiva como relevante no ensino superior público federal capixaba.


A grande procura pelos cotistas no vestibular da UFES mostra que estes estão tanto valorizando medidas afirmativas, quanto se identificando com identidades historicamente negadas e invisibilizadas, e que agora são reconhecidas simbólica e materialmente com políticas públicas num contexto social brasileiro marcado por uma intensa estratificação por classe, raça, gênero, etc.


Assim, mesmo com a alta concorrência entre os cotistas, eles vão disputar as vagas apenas entre eles, e terão que ter muitos estudos e méritos, e não vão entrar “sem lenço e documento” na UFES. E a máxima aristotélica baseada numa justiça distributiva de "tratar os desiguais desigualmente" está se legitimando, diferentemente da proposta universal e antiga de disputa de vagas na UFES, que de alguma forma excluía alguns grupos, já que esta privilegiava apenas o teste de provas, desconsiderando variadas trajetórias de vidas calcadas pelas desigualdades sociais e raciais.


Será que as cotas foram ruins para os cotistas, como foi noticiado? No ES há apenas uma universidade pública, e isto legitima a ideia de que não são as cotas que devem resolver isoladamente o racismo e problemas históricos da elitização do ensino superior brasileiro pautado na lógica privatista, liberal, do privilégio, do dualismo e da assepsia dos pobres, negros e indígenas deste espaço. Então, há que se ter cuidado em analisar um sistema de inclusão como as cotas na UFES, cujo objetivo não é excluir, mas sim incluir e diversificar a academia, destruindo o “apartheid educativo” da educação brasileira que foi intenso na escravidão e reproduzido fora desta na sociedade brasileira. Portanto, diferentemente como querem alguns, os pobres, os negros, e os índios não se “deram mal” com as cotas na UFES, pelo contrário, se deram bem!



Artigo publicado inicialmente no jornal capixaba A GAZETA na página 17 da Seção “Opinião”, em 04/01/2013.

Professor do Ensino Superior. Doutorando em Educação do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFES. Membro do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UFES.

 

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