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Educação e Sociedade

Sérgio Pereira dos Santos

Faz doutorado em educação pelo PPGE/UFES, cuja temática é a análise das Ações Afirmativas no Ensino Superior. É Mestre em Educação pela UFES em 2008. Graduado em Pedagogia pela UFES em 2005.  É Professor Convidado da Faculdade Brasileira (FABRA). Foi Professor Substituto na UFES nos períodos entre 2009/01 a 2010/02 nos cursos de Licenciatura. Tem experiência com educação pré-universitária popular e alternativa para os jovens negros e das camadas populares.  É Membro do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UFES. Estuda a questão racial brasileira, as relações entre classe, raça e educação, juventude e sociedade, educação e função social da escola, negritude e universidade. Autor do livro “Escola: permanências, desequilíbrios e possibilidades”, 2006; e um dos organizadores da obra: “Cinema, Educação e Inclusão”, 2012.

 

Currículo e Contato:

19/04/2013 - Os Racismos e os Embates de Cada Dia

Hierarquias e privilégios. São esses os qualificativos que desenvolvem históricas divisões raciais dos grupos humanos através de práticas racistas e nazistas. Nos últimos dias noticiários e redes sociais foram mobilizados em decorrência de práticas abomináveis, para uma sociedade democrática, vinculadas a tempos de outrora e que se metamorfoseiam no nosso quotidiano de cada dia em novas e variadas formas de se dominar o outro que é diferente. Foi o que aconteceu tanto num trote para a recepção dos calouros do Curso de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais, quanto na atitude do jogador de futebol, o grego Georgios Katidis do time do AEK Atenas.

No primeiro caso houve duas ações impostas pelos veteranos registradas pelas fotos exibidas na Internet: a primeira tem uma jovem pintada de preto representando a escrava Chica da Silva de fronte a um possível colonizador branco, representado por um veterano; já a outra contém três jovens, sendo um com bigode, cuja mão é esticada à frente de forma rígida e ao lado de um rapaz negro amarrado numa pilastra fazendo encenações nazistas, lembrando o ditador Adolf Hitler. No segundo caso, o jogador Katidis ao fazer gol em prol de seu time, comemora-o também com saudações nazistas esticando o braço, como os veteranos do Direito.

No caso ocorrido com os calouros em solos mineiros houve um rechaçamento intenso nas redes sociais contrapondo tais práticas por ferir preceitos democráticos, referentes à justiça social, aos direitos humanos, a legitimação da diferença, assim como a apuração do caso pelas instâncias deliberativas da Instituição. Já o caso envolvendo o jogador grego, a Federação de Futebol da Grécia decidiu, em reunião oficial, a exclusão eterna do jogador de todas as categorias da seleção nacional alegando que o ocorrido fere valores atinentes à paz e a solidariedade no futebol.

Os dois casos acima narrados remontam a dois acontecimentos históricos, a escravidão brasileira e ao Nazismo. O primeiro praticado no Brasil contra os negros, alicerça-se numa lógica ideológica justificadora de tal dominação, cujo pressuposto básico é que os negros são, a partir de um determinismo biológico ou religioso, seres inferiores, cuja natureza humana é predestinada à escravidão, como pensava o filósofo grego Aristóteles. O segundo, ancorado em práticas eugenistas utilizadas por Hitler contra os judeus no Holocausto, baseia-se no melhoramento genético da raça pura dita superior estruturada na separação geográfica como asilos para os das raças inferiores, no não casamento inter-racial entre “puros” e “impuros”, e em processos de esterilização dos “inferiores”, evitando reproduções. Tais acontecimentos sempre foram combatidos por negros e judeus e segmentos sociais contrários a tais práticas, assim como a história mostra que também houve e há grupos e instituições que de alguma maneira apregoam, mesmo sobre muitas críticas sociais, tais dominações para a manutenção de privilégios sociais e simbólicos dos grupos intitulados como “dominadores”.

As lutas históricas de negros, mulheres, indígenas, homossexuais, judeus e pessoas com necessidades especiais sempre rebateram os privilégios e violências dos grupos que sempre tentaram dominar. E isso é salutar para constituí-los como sujeitos políticos de direitos e da igualdade humana para que a diferença atrela-se ao reconhecimento social e à garantia de cidadania, justiça e das condições materiais de existência.

 


* Artigo publicado inicialmente no jornal capixaba A Tribuna na página 26 da Seção “Tribuna Livre” no dia 04/04/2013.


** Professor do Ensino Superior. Doutorando em Educação do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFES. Membro do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UFES.

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