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Educação e Sociedade

Sérgio Pereira dos Santos

Faz doutorado em educação pelo PPGE/UFES, cuja temática é a análise das Ações Afirmativas no Ensino Superior. É Mestre em Educação pela UFES em 2008. Graduado em Pedagogia pela UFES em 2005.  É Professor Convidado da Faculdade Brasileira (FABRA). Foi Professor Substituto na UFES nos períodos entre 2009/01 a 2010/02 nos cursos de Licenciatura. Tem experiência com educação pré-universitária popular e alternativa para os jovens negros e das camadas populares.  É Membro do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros da UFES. Estuda a questão racial brasileira, as relações entre classe, raça e educação, juventude e sociedade, educação e função social da escola, negritude e universidade. Autor do livro “Escola: permanências, desequilíbrios e possibilidades”, 2006; e um dos organizadores da obra: “Cinema, Educação e Inclusão”, 2012.

 

Currículo e Contato:

02/03/2014 - A tão famosa miscigenação defendida no Brasil deve atingir...

A tão famosa miscigenação defendida no Brasil deve atingir os espaços do Poder Legislativo

 

É muito pertinente e salutar a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 116/2011, recentemente proposta pelo deputado Luiz Alberto (PT-BA), que reserva cotas raciais para deputados estaduais e federais no Brasil. Tal importância se dá tanto pelas desigualdades históricas vivenciadas pela população afro-brasileira, quanto pelas novas formas de dominação que inferiorizam e apartam os negros, em muitos momentos, tanto nas classes populares como nas médias e altas. 

 

Uma democracia racial real se dará quando admitirmos que no Brasil o racismo é operante, que os afro-brasileiros ainda têm funções bastante definidas na estratificação social, e que medidas afirmativas tentariam equalizar uma sociedade que ainda tenta dizer que somos iguais.

 

O Legislativo é um espaço de poder, portanto, a igualdade tão explicitada nas leis brasileiras deve ser concretizada como mecanismo de produção da cidadania e uma justiça política, equalizando o número de negros nesse espaço. 

 

A lógica das cotas é uma tentativa de tratar “desigualmente os desiguais”, já que ainda a maioria dos afro-brasileiros no Brasil, mesmo com a igualdade jurídica e o fim da abolição da escravatura, experienciam em suas vidas a precarização, a subalternização, a violência e uma grande ausência nos espaços de poder, riqueza, status, prestígio e privilégio.

 

Nesse sentido, esse projeto de cotas vem ao encontro de justificar nossa diversidade humana brasileira, cujos espaços de poder ainda não a vê, vide o número pífio de negros no Poder Legislativo. 

 

A tão famosa miscigenação defendida deve atingir os espaços do Poder Legislativo, onde se definem coisas públicas, para que a sociedade seja mais democrática, justa, cidadã e libertária para os negros.

 

Portanto, tais cotas se justificam e são extremamente relevantes para deputados negros, já que outros corpos, outras lógicas, outros ideais, outros mundos e propostas dialogariam para um Brasil melhor e democrático. E assim, poderíamos admitir que temos de fato uma democracia racial com negros em todos os espaços de poder, inclusive como deputados.

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